O governo dos Estados Unidos anunciou a conclusão de uma investigação contra o Brasil conduzida pelo Escritório do Representante Comercial (USTR) e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. A medida foi apresentada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e depende da decisão final do presidente Donald Trump para entrar em vigor.
A ofensiva ocorre após o fracasso das negociações bilaterais realizadas ao longo do último ano, incluindo um grupo de trabalho criado depois do encontro entre Lula e Trump, em maio de 2025. Segundo o USTR, ainda persistem divergências consideradas substanciais entre os dois países, apesar da intensificação do diálogo nas últimas semanas.
Relatório cita Judiciário, Pix e meio ambiente
O relatório americano vai além de questões comerciais tradicionais e critica decisões do Judiciário brasileiro sobre redes sociais, como ordens de remoção de conteúdos e suspensão de perfis. A agência também questiona o sigilo aplicado a parte dessas decisões, tratando o tema como uma prática considerada irrazoável por Washington.
Outro alvo é o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Brasil. O documento afirma que o modelo prejudicaria empresas dos Estados Unidos, argumento rejeitado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que o sistema ampliou as transações e beneficiou inclusive companhias norte-americanas que atuam no país.
O texto também menciona políticas brasileiras de combate ao desmatamento, reforçando a leitura de que a disputa extrapola o comércio e entra no campo político e regulatório. Para o governo brasileiro, a pressão americana tenta influenciar decisões soberanas sobre tecnologia, meio ambiente e funcionamento institucional.
Consulta pública e próximos passos
Apesar da proposta de taxação, a lista de exceções preserva setores importantes para a própria economia dos EUA, como aeronaves civis, motores, peças e simuladores de voo, além de produtos farmacêuticos, fertilizantes, químicos orgânicos, terras raras e alguns alimentos tropicais. A leitura é de que a medida busca pressionar o Brasil sem gerar impactos relevantes no mercado interno americano.
Com a conclusão da investigação, o processo entra em fase de consulta pública, e o setor privado brasileiro poderá comentar os resultados antes da publicação do relatório definitivo. Há audiência marcada para 6 de julho, e o prazo legal para a adoção de medidas corretivas vai até 15 de julho.
No governo Lula, a preocupação é dupla: evitar recuos em áreas consideradas soberanas e proteger exportadores brasileiros de um eventual choque comercial. Embora a palavra final siga com Donald Trump, a janela para um acordo de última hora está cada vez mais curta
FONTE: JORNAL DO BRASIL

