A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal marcou uma ruptura histórica no Congresso e acendeu um alerta duplo para o governo Lula e para o próprio Judiciário. Em entrevista ao programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz, o senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou que o episódio foi resultado de uma articulação política construída ao longo do tempo e refletiu um descontentamento generalizado com o Planalto e o STF
A votação, que encerrou uma tradição de mais de um século de aprovação automática de indicações ao Supremo, foi interpretada pelo parlamentar como um “recado” institucional com potencial de impactar futuras indicações e o equilíbrio entre os Poderes.
Por que a rejeição de Messias foi histórica?
Ferraz destacou que, em 132 anos, o Senado nunca havia rejeitado uma indicação presidencial ao Supremo. Para Izalci, o resultado representa mais do que um episódio isolado. “Foi um resgate no Senado, ainda que parcial”, afirmou, ao defender que a Casa reagiu a um cenário de insatisfação acumulada.
Segundo o senador, a votação foi fruto de uma estratégia coordenada entre partidos de oposição. Ele citou que PL, Novo e Avante fecharam questão contra o nome de Messias e que houve mobilização direta de lideranças, incluindo o senador Flávio Bolsonaro.
“Havia dúvida se todos votariam pela rejeição, e esse trabalho ajudou muito”, disse.
Izalci afirmou que o resultado também foi direcionado ao Supremo. “Foi um recado para o STF”, declarou. Segundo ele, há crescente incômodo entre parlamentares com o que classificou como interferência da Corte em decisões do Legislativo e falta de independência entre os Poderes.
O que pesa contra o STF no Congresso?
O senador fez críticas diretas à atuação de ministros e a episódios envolvendo a Corte, afirmando que o Supremo “extrapolou todos os limites”. Ele também mencionou investigações em curso e questionou práticas institucionais, incluindo o funcionamento do inquérito das fake news. “A população sabe disso e isso influenciou os senadores”, afirmou.
Apesar do tom crítico, Izalci afirmou não acreditar em retaliações diretas entre Executivo e Legislativo. Segundo ele, a tendência é de busca por recomposição política. “O que vai acontecer é um diálogo de aproximação”, disse, embora reconheça a necessidade de reorganização da articulação do governo no Congresso.
Na avaliação do senador, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi peça-chave no desfecho. “Se o Davi quisesse aprovar, seria aprovado”, afirmou, indicando que houve atuação relevante nos bastidores.
O resultado afeta futuras indicações ao STF?
Izalci avalia que o cenário dificulta novas indicações no curto prazo, especialmente com a proximidade das eleições. Segundo ele, apenas nomes com forte articulação política teriam chance de aprovação. “Fora um nome como o Rodrigo Pacheco, dificilmente passa”, afirmou.
Para o senador, a votação evidenciou fragilidade do governo no Senado. Ele destacou que o placar expôs dificuldades de articulação e sinalizou a necessidade de reconfiguração política do Planalto.
Fonte: VEJA

