O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), pediu nesta semana a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes. Ele suspeita que o contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master tenha ligação com esquemas de lavagem de dinheiro e ainda pediu que ela seja convocada para depor.
Vieira afirma, em dois requerimentos, haver “fundadas suspeitas” de que o valor pago não teria origem em atividade econômica regular, mas em recursos ilícitos ligados ao crime organizado. No final do ano passado, uma apuração apontou que o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados foi contratado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para defendê-lo em diferentes instâncias judiciais e órgãos do governo.
“A engenharia financeira desvelada aponta que fundos de investimento geridos pela Reag captavam recursos da facção criminosa e os internalizavam no Banco Master através da compra massiva de CDBs. Deste modo, há fundadas suspeitas de que os R$ 129 milhões devidos à Barci de Moraes Sociedade de Advogados não constituiriam mera receita operacional de uma instituição financeira lícita, mas sim o produto direto da lavagem de dinheiro”, afirmou Vieira na justificativa da quebra dos sigilos.
A Gazeta do Povo tentou diversas vezes contato com o escritório de Viviane, mas não teve sucesso. A reportagem também pediu posicionamentos ao gabinete de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Lex Instituto de Estudos Jurídicos, citado em outro requerimento, e aguarda retorno. O espaço segue aberto para considerações.
Ambos os requerimentos foram protocolados na última segunda (2) e precisam ser aprovados pelo colegiado para serem executados. A CPI do Crime Organizado é composta por 11 senadores e presidida pelo senador governista Fabiano Contarato (PT-ES). O colegiago tem como vice o senador oposicionista Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
Vieira também cita investigações da Operação Carbono Oculto, que apuram a atuação do PCC no mercado de combustíveis e no sistema financeiro. De acordo com o requerimento, o Banco Master “teria sido irrigado por bilhões de reais oriundos de fraudes e tráfico de drogas” ligados à facção.
As apurações da Polícia Federal descobriram que a corretora Reag administrava fundos abastecidos com recursos do PCC e, mais recentemente, relações com o Master. A empresa também foi liquidada pelo Banco Central em meados do mês passado.
Fonte: GazetadoPovo | Foto: Antônio Augusto/STF

