O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou em entrevista nesta sexta-feira (6) que a libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso há seis meses, representaria um desrespeito às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Lula, soltar Bolsonaro após condenação comprometeria a credibilidade da Justiça. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.”Você acha que se tiver um cachorro louco preso e você soltar ele vai estar mais manso? Ele vai morder alguém. Esse cidadão [Bolsonaro] tentou destruir a democracia brasileira. Esse cidadão, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de cadeia, tinha um plano para matar o Lula, o [Geraldo] Alckmin e o Alexandre de Moraes. Você acaba de condenar e, no dia seguinte, alguém aprova uma lei para liberar os caras, para diminuir as penas?”, afirmou o presidente.
Durante a entrevista, Lula também citou acusações de que Bolsonaro teria planejado ataques contra autoridades, incluindo ele próprio, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
O presidente reforçou que vetou integralmente o projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional que previa a redução de penas para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, medida que poderia beneficiar Bolsonaro.
“Eu vetei porque não concordo. Esse cidadão [Bolsonaro] tem que ficar preso. Um belo dia pode ter um anistia para ele, como teve depois de 1964, 15 anos depois. Mas não dá para você brincar de fazer julgamento. Se você liberta ele, você desmoraliza a seriedade da Suprema Corte que o condenou”, declarou.
Lula também criticou o comportamento do antecessor após as eleições de 2022, afirmando que Bolsonaro não aceitou o resultado das urnas. “Ele tinha a máquina na mão e achou que ia ganhar. Quando perdeu, não teve sequer a humildade de se comportar como alguém que perde”, disse.
Discurso político e agenda na Bahia
Mais tarde, durante solenidade do governo federal em Salvador, Lula afirmou que pretende enfrentar o que classificou como disseminação de mentiras no cenário político.
“Este não é um ano de eleição, é o ano da verdade. Vamos provar que a verdade e o bem podem vencer o mal e a mentira”, afirmou o presidente. Ele também disse que pretende comparar resultados de sua gestão com os governos de Bolsonaro e Michel Temer (MDB).
Lula cumpre agenda na Bahia para participar da entrega de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), unidades odontológicas móveis e equipamentos para Unidades Básicas de Saúde destinados a 402 municípios baianos. O investimento anunciado é de R$ 345 milhões.
Nos bastidores do evento, o presidente se reuniu com prefeitos e conversou com o senador Otto Alencar (PSD), em meio à crise interna do partido na Bahia após o anúncio de saída do senador Angelo Coronel, que se aproxima da oposição.
Durante o encontro, Otto reafirmou apoio ao governo federal e lembrou sua trajetória de aliança com o PT. “Já enfrentei conspirações antes e enfrentarei qualquer tentativa contra o nosso projeto”, afirmou.
Ainda nesta sexta-feira, Lula visitou o Santuário de Santa Dulce dos Pobres. No sábado (7), o presidente participará da celebração pelos 46 anos do PT, no Trapiche Barnabé, evento que contará com apresentação do grupo Cortejo Afro.
Fonte: Metro1 | Foto: Ricardo Stuckert / PR

