Acusados de atacar ônibus do Bahia com bombas serão levados a júri popular
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Acusados de atacar ônibus do Bahia com bombas serão levados a júri popular

 Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) divulgou, nesta quinta-feira (24), que decidiu levar a júri popular os quatro acusados de atacar o ônibus do Esporte Clube Bahia com bombas, em fevereiro de 2022, em Salvador. Na ocasião, o ônibus estava a caminho da Arena Fonte Nova e jogadores do clube ficaram feridos. Ainda é possível recorrer contra a decisão.

No júri popular, os quatro serão julgados pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, com emprego de meio que possa resultar perigo comum — neste caso, artefato explosivo.

Há quatro anos, Hugo Oliveira da Silva Santos, conhecido como “Garrote”; Janderson Santana Bispo, vulgo “Jau”; Marcelo Reis dos Santos Junior, o “Sub”; e Marcelino Ferreira Barreto Neto respondem pelo crime em liberdade.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), os quatro denunciados e outros três indivíduos que não foram identificados usaram dois carros para cometer o crime.

Eles foram até a Avenida Bonocô e aguardaram a passagem do ônibus do time para lançarem as bombas. Os artefatos perfuraram a lateral do veículo e atingiram os atletas Danilo Fernandes e Matheus Bahia.

A denúncia aponta dois acusados como responsáveis por arremessar os explosivos e outros dois por conduzir os carros utilizados na fuga.

Acusados eram integrantes de torcida organizada
Dias após o atentado, a Polícia Civil apontou que os suspeitos eram integrantes da torcida organizada Bamor. O proprietário de um dos carros usados durante a ação era, inclusive, o presidente da Bamor na época.

Os quatro acusados foram ouvidos em depoimento, mas ninguém foi preso.

O inquérito foi concluído pela 6ª Delegacia Territorial de Brotas no início de junho do mesmo ano e foi encaminhado para o Tribunal de Justiça. A decisão pelo júri popular só foi anunciada quatro anos após o crime.

Segundo o TJ-BA, a data do júri só pode ser agendada após o esgotamento da possibilidade de recursos.

O que diz a defesa dos réus
Em nota, a defesa dos réus, feita pelo escritório Otto Lopes Advocacia & Consultoria Jurídica, informou que vai recorrer contra a decisão. Segundo os advogados, a sentença não corresponde ao que foi apresentado no processo e não haveria provas de que os acusados tiveram intenção de matar.

A defesa afirmou ainda que respeita a decisão da Justiça e repudia qualquer forma de violência no futebol. Os advogados ressaltaram que a pronúncia não representa uma condenação e que os réus respondem ao processo em liberdade, amparados pela presunção de inocência.

Segundo a defesa, durante o processo foram ouvidas vítimas e testemunhas, mas nenhum dos depoimentos teria demonstrado intenção de matar. Os advogados questionam ainda a utilização do dolo eventual na decisão e afirmam que vão levar ao Tribunal de Justiça da Bahia o argumento de que haveria incompatibilidade entre tentativa de homicídio e dolo eventual.

A defesa informou que pedirá a reforma da decisão ou, alternativamente, a desclassificação do crime, o que retiraria o caso da competência do Tribunal do Júri.

“Ouvimos as vítimas, ouvimos as testemunhas, e em nenhum momento surgiu a intenção de matar. Respeitamos a decisão, mas ela não reflete o que está nos autos. Confiamos que o Tribunal de Justiça da Bahia fará essa correção”, afirmou o advogado criminalista Otto Lopes.

Fonte: Bahia Noticias