A estratégia do Itamaraty para lidar com Trump nesse debate sobre CV e PCC
Politica

A estratégia do Itamaraty para lidar com Trump nesse debate sobre CV e PCC

Mauro Vieira e Marco Rubio se reuniram nesta quinta-feira em Washington  (ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP)

Há pouco mais de um ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um potente tarifaço contra o setor produtivo brasileiro. A medida já era avaliada na Casa Branca, mas ganhou impulso com o lobby da família de Jair Bolsonaro contra o governo Lula e o STF.

O mesmo fenômeno é apontado pelo Itamaraty nesta crise atual que envolve a classificação das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, uma notícia já esperada por especialistas em segurança, mas que ganhou contornos de disputa política ao se consumar após a visita de Flávio Bolsonaro a Trump, na semana passada.

Na crise do tarifaço, a calma e a aposta nas ferramentas de diálogo diplomático se revelaram ativos bem sucedidos para que o presidente Lula revertesse a crise junto a Trump. O mesmo caminho será usado agora nesse debate sobre segurança pública, como diz um integrante do Itamaraty ao Radar.

“Botar a bola no chão é o primeiro passo. E depois é passo a passo. Com calma e diplomacia. Foi assim que revertemos a sabotagem do tarifaço, da mesma autoria”, diz o diplomata, sob a condição de anonimato.

Na semana passada, depois do anúncio dos Estados Unidos, os integrantes do governo fizeram algumas reuniões para analisar as medidas e seus impactos em outros países que passaram pelo mesmo momento.

Depois de elaborar uma estratégia, o governo vai buscar os canais de diálogo mais diretos com Trump, tendo Lula papel central na busca de telefonemas e de uma conversa que não seja influenciada pela ala mais bolsonarista do governo norte-americano, apontada como responsável pela decisão que tumultua mais uma vez o mercado brasileiro.

A classificação das facções criminosas como terroristas pode gerar uma série de complicações para bancos e empresas brasileiras com negócios em dólar, já que o mínimo contato com negócios de fachada do crime organizado pode ser gatilho para a imposição de sanções.

FONTE: VEJA