Checagens apontam erros de Flávio Bolsonaro e Lula em debate da Globo; confira
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Checagens apontam erros de Flávio Bolsonaro e Lula em debate da Globo; confira

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O último debate presidencial antes do segundo turno, realizado pela TV Globo na sexta-feira (23), teve declarações contestadas por diferentes agências de checagem. Considerando as afirmações mencionadas nos levantamentos da Lupa, do Estadão Verifica e do Aos Fatos, em parceria com o Terra, cinco declarações de Flávio Bolsonaro (PL) e três de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram classificadas como falsas por pelo menos uma das iniciativas.

A contagem considera declarações distintas mencionadas nesta matéria, e não o total geral de verificações feitas pelos veículos. As agências adotam classificações próprias e também identificaram afirmações enganosas, imprecisas ou sem contexto.

Em balanço divulgado até as 23h45, a Lupa havia publicado 25 verificações sobre o debate: 15 relacionadas a declarações de Flávio Bolsonaro e dez a falas de Lula. Nesse recorte, quatro afirmações do senador e duas do presidente foram classificadas como falsas.

Flávio Bolsonaro: chocolate, falta de ar e Bolsa Família

Entre as declarações falsas atribuídas a Flávio Bolsonaro está a afirmação de que as barras de chocolate teriam diminuído de 120 para 80 gramas por causa da inflação. Segundo a Lupa, produtos com 80 gramas já eram comercializados em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro.

Também foi contestada a afirmação de que o ex-presidente não debochou de pessoas com falta de ar durante a pandemia. A Lupa e o Aos Fatos apontaram que Bolsonaro imitou pessoas com dificuldade para respirar em transmissões ao vivo de 2021, enquanto criticava o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. O Estadão Verifica também classificou essa declaração como falsa.

Outra fala considerada falsa foi a de que Lula defende que ladrões de celulares não sejam presos porque roubariam aparelhos para conseguir dinheiro para uma “cervejinha”. A checagem do Aos Fatos apontou que a declaração se baseia em um trecho editado de uma entrevista de 2017. Na íntegra, a referência à cerveja aparece em outro contexto, relacionado a torcedores de futebol rivais após as partidas.

A Lupa também classificou como falsa a declaração de Flávio Bolsonaro de que Lula seria o “pai do Tigrinho”. O jogo foi associado à discussão sobre a regulamentação das apostas on-line, mas a legislação sobre apostas esportivas havia sido aprovada em 2018, durante o governo Michel Temer. Lula sancionou a regulamentação do setor em 2023.

O quinto exemplo é a afirmação de que o governo Lula transferiu de 2033 para 2050 o prazo para universalizar o saneamento. O Estadão Verifica classificou a declaração como falsa e apontou que o prazo legal continua sendo 31 de dezembro de 2033.

Afirmações enganosas ou imprecisas

Outras declarações do senador receberam classificações diferentes de falsa. A afirmação de que Jair Bolsonaro elevou o Bolsa Família para, no mínimo, R$ 600 foi classificada pela Lupa como exagerada e pelo Aos Fatos como enganosa. O Auxílio Brasil começou com parcelas de R$ 400, e o valor de R$ 600 foi estabelecido por uma emenda constitucional em 2022, com validade até o fim daquele ano.

O Estadão Verifica também considerou enganosa a afirmação de que as motocicletas passaram a ter pedágio gratuito em todas as concessões rodoviárias. A regra mencionada se aplicava a novas concessões federais ainda em fase de licitação.

Já a declaração de que 90 milhões de brasileiros não têm coleta de esgoto e 40 milhões não têm acesso à água tratada foi considerada imprecisa. O levantamento apontou que o número de pessoas sem coleta de esgoto estava correto, mas estimou em cerca de 34 milhões o contingente sem acesso à água potável.

Lula: economia e fome entre as declarações contestadas

Entre as afirmações de Lula classificadas como falsas pela Lupa está a de que a economia brasileira não crescia mais de 3% desde 2010. A agência apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 3,9% em 2011, 4,8% em 2021 e 3% em 2022.

O Estadão Verifica também analisou essa declaração, mas a classificou como enganosa, destacando que a economia cresceu 4,6% em 2021, durante o governo Bolsonaro.

Outra fala de Lula considerada falsa pela Lupa foi a de que o Brasil havia acabado com a fome em 2012. Segundo a checagem, o país saiu do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas em 2014, durante o governo Dilma Rousseff, após uma trajetória de redução da subalimentação associada a políticas públicas iniciadas nos governos anteriores.

O Estadão Verifica tratou a declaração sobre o fim da fome e a referência a 33 milhões de brasileiros passando fome como informações que precisavam de contexto. O número de pessoas em situação de fome citado pelo presidente estava associado a dados coletados entre novembro de 2021 e abril de 2022, e não a um levantamento realizado em 2023.

A terceira declaração de Lula classificada como falsa entre os exemplos reunidos é a de que o jogo conhecido como Tigrinho foi criado pelo governo Bolsonaro em 2022. A Lupa apontou que a legislação sobre apostas esportivas havia sido aprovada em 2018, durante o governo Michel Temer, e que a regulamentação do setor foi sancionada por Lula em 2023.

A agência também classificou como “sem contexto” a fala de Lula sobre a pobreza na Argentina durante o governo Javier Milei. O índice chegou a 52,4% no primeiro semestre de 2024 e recuou para 32,3% no primeiro semestre de 2026.

Outras declarações de Lula receberam ressalvas

O Estadão Verifica analisou ainda a afirmação de Lula de que havia cerca de 6 mil obras paralisadas quando assumiu a Presidência, em 2023. A checagem apontou que o número subestimava o cenário: dados do Tribunal de Contas da União indicavam 8.603 obras paralisadas em abril daquele ano, sem um levantamento equivalente disponível para janeiro.

A declaração de que o governo federal financiava o túnel entre Santos e Guarujá, incluindo participação do BNDES, foi classificada como enganosa. O projeto tinha previsão de R$ 6,8 bilhões, com R$ 5,1 bilhões de recursos públicos divididos igualmente entre a União e o governo de São Paulo, além de uma parcela privada.

Também recebeu ressalvas a fala de que o governo federal deixou o Rio Grande do Sul desassistido após as enchentes e liberou menos de 30% do auxílio prometido. O Estadão Verifica apontou que havia recursos autorizados e liberados, mas também divergências sobre o andamento das obras e a apresentação de projetos.

Checagens também confirmaram afirmações dos dois candidatos

Os levantamentos registraram declarações consideradas verdadeiras. A Lupa confirmou falas de Lula sobre a abertura de 700 mercados para produtos agropecuários brasileiros, o recorde de exportações e a referência ao uso da expressão “bolsa-farelo” por Flávio Bolsonaro.

O Estadão Verifica também considerou verdadeira a afirmação de que o senador usou o termo “bolsa-farelo” em uma publicação de 2013. Na postagem, posteriormente apagada, Flávio escreveu que o PT “perpetua a pobreza com o bolsa-farelo, mantendo as pessoas nessa dependência para não perder seus votos”.

Entre as declarações de Flávio consideradas verdadeiras pela Lupa estão as de que ele ajudou a criar o marco legal do saneamento, de que o Centro-Oeste é a região que mais produz alimentos e de que mais de 80 milhões de brasileiros têm contas atrasadas. O Estadão Verifica, por sua vez, apontou que o número de pessoas com dívidas em atraso era de cerca de 75 milhões em setembro de 2026, razão pela qual classificou a afirmação dos 80 milhões como imprecisa.

O Estadão Verifica também confirmou que a carga tributária brasileira atingiu 32,40% do PIB em 2025, maior percentual da série histórica citada pela checagem, e que as exportações brasileiras alcançaram recorde de US$ 348,7 bilhões naquele ano.

As checagens não foram exibidas em tempo real durante o debate da Globo. Os resultados foram publicados nas plataformas digitais dos veículos e das agências, com possibilidade de atualização dos levantamentos.

Fonte: Metro1