Instrumento que pulsa forró e tradição nordestina, a sanfona não sobrevive sozinha. Também chamada de acordeon, ela precisa de alguns reparos para manter a vibração que aquece os amantes de uma boa música.
Os responsáveis por estas operações são os luthiers, artesãos especializados na construção, reparo, ajuste e manutenção de instrumentos musicais de corda, como violões, guitarras, violinos, violoncelos, além dos de outros segmentos, como a sanfona de 120 baixos.
O termo deriva do francês luth, que significa alaúde, e remete à maestria de trabalhos em madeiras e acústica, composição da maioria dos instrumentos no Brasil e no mundo.
Profissionalização
Trabalhando com o ofício há 22 anos, ‘Juniu Bala’ contou ao portal A TARDE que se apaixonou pela profissão ainda jovem. Ele passou a mexer na sanfona por curiosidade e descobriu o dom para consertar o instrumento.

“Meu interesse pela sanfona partiu de conhecer a fundo esse instrumento. Na época que eu comecei a estudar, não tinha luthier, nem professor de acordeon, principalmente na região onde eu morava, que era em Porto Seguro. Não tinha o acesso a esse material que tem hoje aí disponível na internet”, contou.
“Então, eu usei o dom que Deus me deu de compreensão e observação. Comecei abrindo, tirando um parafuso e consertando uma coisinha. Minha primeira sanfona foi uma bem precária, danificada e precisava de reparos. Como não tinha luthier, eu comecei a mexer, fazer um consertozinho aqui e ali na intuição mesmo”.
Apesar de os luthiers mais antigos terem se capacitado de forma autodidata, atualmente, existem cursos técnicos e profissionalizantes na área. Dentre as principais exigências estão: conhecimentos de marcenaria, física acústica e música.
Complexidade da profissão
Durante a entrevista, Juniu também falou sobre a dificuldade de mexer com a sanfona, já que a mecânica de 120 baixos é considerada uma das mais complexas do mundo.
“Em se tratando de instrumento musical é um dos mais complexos que tem, pois é artesanal, com muitos arames ali. Cada botão que você aciona, aciona três arames que abrem orifícios que dão vazão de ar onde é produzido o som”, explicou.
Ele ainda reforçou que, apesar da dificuldade, é gratificante fazer o sentimento da canção ser transmitido pelo artista através do toque do instrumento. “Eu acredito muito nessa questão do sentimento que você tem ao tocar o instrumento. Acho que ele pode ser expressado através da sonoridade”.
FONTE: ATARDE

