Maria Prata, esposa do jornalista Pedro Bial, usou as redes sociais nesta sexta-feira (23) para relatar um assalto que sofreu ao lado da filha caçula, Dora, em São Paulo. A jornalista contou que as duas foram abordadas por um homem armado enquanto caminhavam por uma rua residencial no bairro da Lapa, na zona oeste da capital.
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No desabafo, Maria explicou que não estava usando o celular e nem estava em uma situação de risco aparente. “Hoje foi comigo. Essa imagem sem som que vemos repetidamente no feed: uma câmera de segurança, um motoqueiro de capacete e mochila de entregas, uma arma, alguém sendo assaltado na rua”, escreveu.
“Agora esse alguém era eu. Com minha caçula colada em mim. E com som, que não sai da minha cabeça. Não estava com celular na mão. Não estava ‘dando bobeira’ num ‘lugar perigoso’. Estacionei o carro em uma rua residencial (fofa, de casinhas geminadas, na Lapa) e estava andando 20 m até a casa para onde íamos”, continuou.
Maria também narrou o diálogo com o assaltante e a reação da filha durante a abordagem. “Não se mexe, entrega tudo, cadê o iPhone?”, disse o homem. “Tá na bolsa. Eu estou com uma criança, fica calmo, pode levar tudo”, respondeu ela. “Mamãe, por que você tá tirando sua aliança?”, questionou Dora. “Qual a senha do iPhone? A senha do iPhone!”, falou o bandido, sem paciência.
“Eu dizia a senha, mas, nervoso, ele errava as teclas. ‘Repete! A senha!!’. ‘Eu abro o celular pra você!’. ‘A senha!! Você é polícia?!’. Ele passou a mão na minha cintura pra ver se eu tava armada. Repeti a senha. Finalmente abriu. Ele revirou a bolsa, pegou meus cartões e saiu”, escreveu.
A ação foi registrada por câmeras de segurança da casa para onde mãe e filha se dirigiam. Segundo Maria, Dora, confusa, perguntou o que havia se passado. “Dora não viu a arma, não entendeu o que tava acontecendo por um motivo óbvio: ela sequer sabe que isso acontece. Entramos na casa, fomos acolhidas por muitos amigos. Entreguei Dora pro Pedro, que estava lá e desabei longe dela. Só ali, pelas conversas, caras e perguntas, ela sentiu o baque. Chorou, ficou com medo, ‘quero ir pra casa, mamãe’. Chegou polícia, depoimento. Horas de telefonemas cancelando tudo”.
“Dora passou o dia falando sobre isso, processando, perguntando, querendo entender o que foi aquilo, quem era aquele cara, por que ele queria o telefone, a senha, a aliança, por que isso acontece. São 4h da manhã, não consigo dormir. Minha cabeça é um replay sem fim de áudios e imagens de uma situação que ninguém deveria passar na vida. Nem eu, nem a Dora, nem aquele cara”, contou.
Ao final do relato, a jornalista agradeceu o acolhimento que recebeu após o ocorrido e destacou o impacto emocional da situação. “Estamos bem, têm coisas muito piores, o pesadelo poderia ser outro. Mas a vida é mesmo um sopro. Um movimento errado e o desfecho poderia ser outro, como já foi com tanta gente. Passamos as férias dedicados a mostrar para nossas filhas o Brasil mais sensacional que há. Hoje, o pior do Brasil nos atropelou”, falou, finalizando: “A todos os amigos que nos receberam, obrigada. Em frente. Estamos vivas”.
Fonte: Correio24hrs | Foto: Reprodução

